12/09/2012

Da ansiedade e do pânico


Primeiro quero agradecer todo o carinho que senti nos vossos comentários no post em que contei mais sobre mim. Sinto que é importante falar um pouco mais detalhadamente sobre o assunto, pois reparei que algumas de vocês passam ou já passaram pelo mesmo, e gostava de conseguir ajudar alguém que pode não estar a lidar com a situação do pânico da melhor maneira. Lembro-me de à dois anos ter visto um post muito sincero da Pipoca mais Doce, em que ela contava que também sofria de ataques de panico, e que teve tempos bastantes dificeis graças a isso! Identifiquei-me completamente, afinal havia mais pessoas como eu!
Os ataques de panico podem ser bastante desesperantes, e quando se está em panico normalmente só se fica mais em panico por não se conseguir lidar com a situação.
Naquela noite em particular em que sofri o meu primeiro ataque de pânico, estava a dormir descansadinha. Era uma noite de chuva e vento intenso em Dezembro. A certa altura ouço o tal trambolhão igualzinho ao que tinha ouvido meses atrás. Senti o coração disparar, e apesar de perceber que não era nada, não me conseguia acalmar....Devia ter muita ansiedade reprimida de meses e meses a cuidar do meu pai e a sentir receio por ele, e então aquele foi o momento de ruptura. Quanto mais o coração batia mais em pânico eu ficava por não me conseguir controlar, e só pensava que ia morrer! Passei assim e noite toda e de manhã sentia-me um pouco melhor. Não compreendia o que me tinha acontecido, e por isso continuei a sentir-me extremamente ansiosa com medo que isso me acontecesse novamente. A noite para mim era um tormento. Dormia de tv acesa para me distrair, mas os ataques voltavam por vezes, porque ansiedade definitivamente chama ansiedade. Foi aí que resolvi cortar o mal pela raiz e fui ao psicólogo. Expliquei o que se passava comigo, e ele explicou-me o ciclo do ataque de pânico. Havia um momento em que havia volta a dar, e eu tinha de me concentrar nesse momento para que o ataque não continuasse. O meu medo era de morrer, que o coração batesse tão rápido que eu morreria! Rapidamente o doutor me descansou e disse que isso não aconteceria. O nosso corpo é inteligente e no máximo desligaria, ou seja eu desmaiaria até o corpo se restabelecer. Isso descansou-me. Mesmo assim não estava curada. Apesar do doutor não achar necessário eu ser medicada por ser bastante coerente e prática, a ansiedade começava a comandar a minha vida. Eu tinha medo de me afastar de casa, de sair com amigos, de fazer alguma coisa diferente do normal, como medo de ter um ataque de pânico, e não o conseguir controlar. 
Acho que o pior ataque que sofri foi  em Sevilha. Tive uma visita de estudo com todo o curso, eramos uns 100, e passamos o dia a visitar a cidade. Depois de almoço comecei a ter pensamentos irracionais. Estava num país diferente, com muita gente que me conhecia, se eu tivesse um ataque de panico ali todos me iam ver num momento de fraqueza, e isso era algo que não queria. Lá começou o ataque, eu sentia-me cada vez mais nervosa, não podia entrar em panico ali, estava a 300 e tal km de casa e não havia nada que pudesse fazer!! O ataque passou cerca de uma hora depois, e o medo que senti foi inexplicável. Depois daquele dia, sempre que recebia convites para dormir fora de casa, ou afastar-me mais eu recusava. Lembro-me perfeitamente de no ano passado por esta altura, ter tido um convite relampago para ir com o namorado e a sua familia passar o fim de semana à costa alentejana. Eu tentei safar-me e não ir, mas o namorado não percebia o porque. Desatei a chorar e expliquei-me que tinha medo de ter um ataque de panico, de não me sentir confortável...Ele percebeu mas eu sentia-me tão mal por estar a mostrar o meu lado mais fraco...Isto porque apesar de já lhe ter dito, da minha mãe saber, só mesmo eu tinha noção da verdadeira dimensão do problema...
Aos poucos fui desconstruindo as situações que me provocavam medo, comecei a relaxar, e a ansiedade deixou de comandar a minha vida. Neste momento considero-me curada (não sei se uma pessoa pode alguma vez ficar a 100%), mas digo-vos, claro que tenho medo que alguma situação desconfortável volte a despoletar um ataque de pânico...Mas não vivo com receio disso, vivo com força de que vou vencer, como venci tantos maus momentos graças a esta doença...
Por isso se alguém me está a ler e a passar pelo mesmo, é possível vencer! O psicólogo ensinou-me alguns truques! Quando se está a ter um pico de ansiedade é necessário desconstruir a situação e perceber o que a está a causar...temos motivos reais para isso? Pensar em coisas boas, distrairmo-nos, é extremamente importante, e foi assim que consegui!

29 comentários:

  1. Adorei o post! Pode ser muito útil para muita gente!
    E fico muito contente por estares "curada"! É preciso muita força de vontade :)

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  2. A minha mãe e a minha prima sofrem de ataques de pânico.
    E no início não percebia como elas conseguiam ter esse pensamento irracional de que iam morrer!
    Este ano estudei o assunto na cadeira de Psiquiatria e fiquei a perceber um pouco mais do que se pode sentir nessa situação.
    Acho que ajuda muito falar com um médico ou com um psicólogo que explique isso mesmo que disseste: que o nosso corpo é esperto o suficiente para não deixar que o ataque se prolongue ;)

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  3. Nunca passei por isso, mas não deve ser uma situação nada agradavel. Força!

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  4. Ataques de pânico nunca tive, mas tenho imensos problemas de ansiedade e se alguma coisa acontece que eu não estou a contar fico completamente irracional. Não consigo pensar direito e por isso tenho que me acalmar primeiro. É muito complicado...

    De qualquer forma esses truques que mencionaste ajudam, devemos sempre lembrar deles :)

    Tu tens muita força Pink :)

    Beijito*

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  5. É complicado deve ser uma situação muito dolorosa,eu nunca tive assim um ataque mas de ansiedade sim e já é complicado fará na tua situaçãomas tens de agir como o psicologo diz,bjinhos

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  6. Só agora li o post onde davas conta da tua situação. Também eu sofro de ataques de ansiedade e pânico há alguns anos. Estou medicada mas mesmo assim existem situações em que eles aparecem... Ainda ontem durante a noite tive um. É uma situação pela qual não desejo a ninguém passar!
    Beijinhos

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  7. Compreendo-te um pouco, pois o meu marido tem esse problema, toma medicação há vários anos, mas mesmo assim os ataques surgem de vez em quando.
    Mas gostava que ele tivesse um bucadito da tua força, pois eu acho-te uma grande mulher....
    Beijinhos

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  8. Como já sabes querida, ando sem internet desde sexta feira. De qualquer das formas li os dia todos em que estive ausente e li especialmente o post dedicado ao teu pai/a ti. Nunca tive ataques de pânico e penso que a minha família nunca viveu algo do género, de qualquer das formas pelo que descreveste é algo extremamente perturbador pelo que nunca desejo experimentar tal dor nem desejo isso à minha família.
    Não sabia que os ataques de pânico era algo muito constrangedor, porque o é... nem tão pouco percebi o porquê da sua existência. Agora sei que é algo baseado num medo anterior... É complicado viver assim. Já tive fases na vida em que realmente a minha cabeça não parava de pensar mas penso que a isso não se considera ataques de pânico independentemente de serem pensamentos negativos. Apenas não passa tudo de uma cisma.
    És uma pessoa muito forte querida e fico contente por teres consigo ajuda por ti própria. Lutaste e isso é algo a que dou muito valor! Muita força querida*

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  9. Nunca me aconteceu isso, mas deve ser realmente terrível !
    Força nisso :)

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  10. Eu também sofro disso. Ainda hoje não me consigo controlar muito bem quando tenho um ataque de panico. Muitas das vezes lá recorria eu ao hospital, mas agora já tenho comprimidos sempre comigo, é que eu nao vou lá sou com os exercícios que o psicologo me mandou fazer. Talvez um dia consiga, mas neste momento da minha vida é muito complicado.


    Beijinhos e parabéns pelo post.

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  11. Quando eu era pequena também sofria desses ataques, mas ao longo do tempo, dissiparam-se e começaram a ser poucas as ocasiões em que aconteciam. Apesar de agora acontecer com mais frequência, tenho feito como tu disseste, tentar manter a calma e concentrar-me e convenco-me a mim própria de que não é nada de mais e está tudo bem. Mas garanto que é uma situação muito complicada, porque devido à ansiedade que gera ansiedade, não sabemos o que fazer e quase que entramos em "colapso total".

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  12. Eu nunca tive ataques de pánicos...
    No entanto, em situações de extremo stress, acontece-me uma coisa pior... desmaiar.
    Tipo filme mesmo.... mas pelo menos a prática já vai sendo alguma e em alguns casos já consegui evitar desmaios, lol

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  13. Eu tb ja tive ataques de panico... e agr tento controla los... com a cabeça... mas sao coisas dificies... e uma pessoa parece instavel em certs moments!! Beijinho***Força =) ***********

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  14. Nunca me aconteceu mas já vi uma rapariga que estava a ter um ataque de pânico e, no meio de uma aula, por causa de um barulho mais forte, escondeu-se debaixo da mesa e começou a chorar, e depois disse-nos que era constante nela ter esses ataques. É complicado.

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  15. Pink, o último textinho que publiquei faz parte da história que comecei a escrever, só que eu escrevo na 1ª pessoa, porque assim é mais fácil sentir o que a personagem sente :P Os sentimentos passam a ser também meus :)

    Mas tenho para mim que a Inês irá gostar do teu apoio :P

    Obrigada :)

    Beijito* grande

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  16. Nunca me aconteceu, mas a na minha família já aconteceram dois casos
    Bjs e um bom dia :)

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  17. Ainda bem que conseguiste!
    Eu sinceramente não sei se alguma vez já me aconteceu. Quando estou desconfortável é claro que fico nervosa e com o coração a bater muito rápido, mas não sei se é o 'normal' ou se realmente é mais para o ataque de ansiedade... Por vezes custa mais distrair-me, dependendo das situações, mas no geral tenho sempre conseguido controlar. Só uma vez, há uns anos atrás, tive algo que penso ser um ataque de pânico pois o carro do meu tio tinha sido assaltado há uns dias (ele mora mesmo ao meu lado) e passei uns tempos que não conseguia sair para o quintal e jardim à noite.

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  18. Eu nunca tive, mas acredito que não seja nada fácil de aguentar!!

    Forcinha babe*

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  19. Falta de noção... gente que não quer ver é mesmo um grande problema neste mundo. Gente que só tem noção do seu umbigo.

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  20. Pretty identifico-me tão bem com o teu texto, como já te disse já passei por algo identico e sei bem do que se trata.

    http://suspiros-de-um-amanhecer.blogspot.pt/2012/05/o-medo-que-nos-destroi.html

    Tens aqui o post que relatei o meu medo, os ataques de pânico e a dita fobia que me foi diagnosticada. Posso dizer que hoje já consigo enfrentar o medo e esses pensamentos irracionais, mas vai muito da nossa força de vontade e de não fugir das coisas, porque torna-se pior para nós. Ao fugir e ter medo, só nos estamos a prejudicar e a deixar de viver, fazendo com que o medo se apodere de nós.
    Ainda bem que já estás melhor e com força conseguiste superar :)

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  21. Compreendo-te perfeitamente. E essa viagem que falas, eu só fui agora porque fui acompanhada, porque sozinha nunca me atrevia a ir. Era suposto ter ido em Março e não fui por causa disso. Este mês que fui passar férias lá fora, foi porque consegui ir e vir acompanhada com família. Porque sinceramente odeio andar sozinha e deprimo bastante se o fizer. Então para locais que não conheço etc, pior ainda. Fico logo nervosa e atrapalhada. Como tal compreendo esse teu medo de ir para fora do Pais, mas só nós podemos decidir e enfrentá-lo. Uma coisa é ir sozinha a uma cidade e aí eu vou, pego no carro e vou sem problemas, agora para fora do Pais, ir de avião etc ... aí teremos de pensar bem e se achas que não consegues, tenta arranjar alguém que vá contigo. Senão tenta enfrentar e exercita a respiração, isso ajuda imenso. Faz 3 vezes ao dia 10 respirações profundas (inspirar, expirar) e movimentos com o corpo para relaxar. Nunca deixes que ir ao ponto limite e que os pensamentos te manipulem. Tenta descontrair o mais possivel.

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  22. Ainda bem que conseguiste ultrapassar isso, é muito complicado. Eu já tive alguns mas em situações concretas e sociais, chamada a Fobia Social. ;) beijinhos

    http://nobresonho.blogspot.pt/

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  23. Pois, estou a entender.
    Mas também tens o teu namorado, tens alguém perto de ti que gostas, será complicada a adaptação o que é natural, mas não estarás sozinha nesse passo :)
    Eu com namorado tb arriscaria, como dizes temos de ter a nossa independência e a nossa vida, seja perto ou longe dos pais. Mas eu não sei se aguentaria tanta saudade :p

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  24. Ah, não sabia que ele estava sempre a viajar, pensei que fazia uma rotina igual à nossa, casa-trabalho. Sendo assim torna-se mais complicado, mas nada como tentares :) Não se perde nada. Acho bem que enfrentes e que as coisas corram bem :)

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  25. O emprego dele são apenas uns meses/anos ou é mesmo efectivo? Ele ficará por lá sempre ou regressará? Porque se fica, a única hipótese é ires viver com ele lá e fazerem vida a dois, se for provisório é um caso a avaliares e se encontrares cá emprego, ficas e esperas por ele :) Agora as viagens tb não são muito caras de avião, isto em low cost. Mas tb pouco percebo disso :p
    A lingua não sei qual é lá, mas tb terias de tirar um curso ou exercer o inglês talvez.

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  26. Sendo assim arrisca :) Como te disse tentar faz parte da vida, se a coisa correr bem, melhor ainda senão regressas :)
    E 3 anos passam rapidinho :p

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  27. Eu nunca tive nenhum ataque de pânico, mas como imaginas já assisti a imensos e sei o quanto é aflitivo. De qualquer das formas parabéns por teres superado isso, e é muito importante que partilhes com os outros a tua experiência :)

    Beijinhos :D

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  28. Eu nunca tive nenhum ataque, mas sei que é uma coisa horrível porque o meu ex-namorado sofria disso e um vez teve um, e eu fiquei em pânico. Sem dúvida que há "cura", acima de tudo é possível controlar.

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