08/09/2012

Mais um pouco sobre mim


Dia 8 de Setembro de 2009 pela manhã cedo ouvi o telemóvel do meu pai tocar sem ser atendido. Havia algo de estranho em ele não atender o telefone, mas estando eu ainda meio a dormir, não liguei muito. Nunca me hei de esquecer do que se passou a seguir. Ouvi um trambolhão enorme na sala, e saí a correr até lá. O meu pai estava no chão a tentar levantar-se mas não conseguia. Algo estava muito mal. A sua boca estava distorcida e ele tentava falar, saindo apenas sons indefinidos. Rapidamente percebi que ele estava a ter um Avc, e sem saber o que fazer tentei levantá-lo. Não consegui, e decidi deitá-lo no chão. Liguei para o 112 e expliquei o que se estava a passar. Pediram-me para lhe dar a mão e pedir para ele a apertar. Obviamente não conseguiu. Até o INEM chegar ele foi melhorando, ganhando sensibilidade no lado que não sentia, e quando foi para o Hospital já foi sentadinho e bem melhor. Se senti tristeza, preocupação? Não. Senti alivio. O meu pai fumava muitissimo. Não tinha cuidado absolutamente nenhum com a sua saúde, e eu soube ali que aquele seria um momento de transição. Andava tão preocupada com a saúde dele que soube que aquele susto o iria salvar.
Já no hospital surgiu o veredicto: AVC esquémico por causa de uma carótida entupida a 95% por causa do colesterol elevado. Pelo meio descobriu os diabetes, tal como o seu pai. Foi operado de urgência, e ainda hoje se vê a enorme cicatriz no seu pescoço.
Em pouco mais de um mês estava de volta ao trabalho, dizem que foi milagre. Ficou sem sequelas praticamente nenhumas. Mesmo assim houve um período difícil. Andava confuso, não se lembrava de palavras, tinha dificuldade em falar..Felizmente tudo se restabeleceu, e adoptou um novo estilo de vida. Menos 20 kg e uma alimentação cuidada aliada ao exercício físico fazem do meu pai a pessoa mais saudável cá de casa!
Infelizmente aquele episodio mexeu comigo de tal maneira que precisei de ir ao psicólogo. Não conseguia dormir, andava ansiosa, e qualquer barulho forte fazia o meu coração andar aos saltos. Certo dia tive um ataque de pânico a meio da noite, quando fui acordada por um barulho idêntico ao que ouvi no dia em que o meu pai sofreu o AVC. O psicólogo disse-me que sofria de "Ansiedade generalizada". 
Sendo uma pessoa totalmente racional ultrapassei os meus ataques de pânico sem a ajuda de comprimidos, apenas com a ajuda da minha mente. Mesmo assim muito de vez em quando, em situações que me são desconfortáveis tendo a ficar ansiosa, e sinto o ataque de pânico a aproximar-se. Mas eu sou forte, e sei que os consigo combater. Nunca mais sofri de nenhum tipo de ansiedade forte, e sei que é graças à minha força. Se tenho vergonha de ser assim, de ter pedido ajuda psicológica? Não. Só me ajudou a ser uma pessoa forte, a perceber que o psicólogo não é um bicho de 7 cabeças, e a conseguir superar tudo o que se mete no meu caminho. Tornei-me definitivamente noutra pessoa, numa pessoa melhor.
De qualquer modo o dia de hoje é um dia que nunca mais apagarei da minha memória...

29 comentários:

  1. Acho que fizeste muito bem em pedir ajuda... os psicólogos existem para nos ajudar, para sabermos lidar com as situações....

    Ainda bem que estas a melhorar, a tua coragem inspiradora

    Beijinhos e muita força para continuares a ter essa força... ;)

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  2. Não imagino, felizmente, o que seja passar por isso... é óbvio que é uma situação muito traumática...

    E ir ao psicólogo não é sinal de fraqueza... muitas vezes é um sinal de grande lucidez :)

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  3. Eu também já sofri de ataques de ansiedade, ao que me foi diagnosticado uma fobia social generalizada, fiz o mesmo que tu, recorri a ajuda e não me arrependi, mas eu tive de andar medicada (talvez tenha sido um erro, mas ajudou e muito). Já tinha desabafado isto no meu blogue, não sei se na altura leste.
    Em relação ao teu pai nunca tive nenhum susto desses na família, apesar do meu pai sofrer de colesterol, vai tendo cuidado na alimentação, mas às vezes tb se esquece. Mas não fuma, já fumou em adolescente depois deixou. Posso imaginar a tua ansiedade e pânico ao ver o teu pai naquele estado e depois nada disso sair da tua mente, o que é normal. Tiveste força e lutaste contra esses pensamentos, o que eu tb o fiz e tenho feito devido ao meu problema. E como já disse antes, temos de contrariar o medo e ignorá-lo. Senão ficamos dependentes dele e não vivemos a vida, acabamos afundadas em strees e ansiedade e mais tarde com uma "bela" depressão.

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  4. Pois é complicado tirar da mente um dia como esse mas o melhor que tens a fazer é pensar que o teu pai a partir dai nasceu para uma nova vida mais saudável por isso como digo ao meu pai hoje que faz anos "parabéns pai". No teu caso " parabéns pai por teres conseguido mudar de vida".
    Bjs
    Betty

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  5. Já dizia alguem que "aquilo que não nos mata, faz-nos mais fortes". A vida tem destas coisas... é imperdoável mas também dá segundas vezes... é bonito ver quem tem a sabedoria de aproveitar! Abraço

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  6. E não tens mesmo de sentir vergonha por consultares um psicologo! Aliás em pleno século XXI é uma coisa normalissima ;) E na verdade há coisas que surgem por bem se assim se pode dizer (em relação ao teu pai. Eu por vezes também me sinto com sintomas parecidos a um ataque de ansiedade, tenho de andar mais atenta.

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  7. É bom conheceremos melhor as pessoas, desejo-te tudo de bom
    Bjs e bom fim de semana ;)

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  8. Existem episódios na vida realmente complicados! Ainda bem que foi tudo ultrapassado e da melhor maneira possível! Por vezes há males que vem por bem e esse foi um deles, assim o teu pai trata-se melhor! És uma pessoa forte isso nota-se pelo que escreves ;)

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  9. Não consigo imaginar a aflição que deves ter sentido... Mas são esses episódios que nos tornam mais fortes! É o teu caso...

    Beijinhos e bom fim de semana...

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  10. Não consigo imaginar o que sentiste porque nunca me aconteceu, mas deve ter sido horrivel. Ainda bem que o teu pai conseguiu recuperar, um avc é mesmo muito perigoso :(
    Beijinho grande pretty

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  11. Vergonha?? Nem fazia sentido nenhum sentires vergonha em pedir ajuda. Eu então considero heróico. Ter noção que se precisa de ajuda é muito importante para a cura seja ela psicológica ou fisica (vicios). Portanto fizeste muito bem! E tens o teu pai contigo, eu passei por uma do género e já não tenho o meu na minha vida. Nunca te arrependas ou duvides das tuas acções, fizeste tudo bem;)
    Bom fim de semana;)

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  12. Esses momentos nunca nos saem da memória. O importante é que, apesar de ter sido um período difícil, acabou tudo por correr bem. Acompanho o teu blog e, pelas coisas que tu partilhas aqui connosco, dá para ver que és uma pessoa que sabe usar a inteligência que tem, que és forte. E não há que ter vergonha de absolutamente nada! Fizeste o que era mais certo e melhor para ti.
    Ainda bem que agora o teu pai está mais saudável, isso é que é preciso :) :)
    Ah, e ainda bem que não recorreste a comprimidos porque quando se começa com isso, é complicado deixar de os tomar, mesmo que o seu efeito não seja tão forte assim...

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  13. Não tens razão nenhuma para sentires vergonha, muito pelo contrário... Foste uma pessoa muito forte e corajosa que reconheceu que precisava de ajuda! :)

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  14. graças a Deus que ele ficou bem princesa=)

    nem imagino o que passaste...mas és msm forte=)

    xoxo
    bee*

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  15. Pssa q susto :S ... Espero que ele agr tenha cuidado com ele!!! ****Beijinho*******

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  16. Como psicóloga não podia ficar mais satisfeita com a mensagem que passaste :)Não existem razões para ter vergonha de pedir ajudar, pior é quem precisa e não pede. Aproveito para desmistificar a ideia de que os psicólogos são para "malucos", são profissionais que ajudam pessoas (qualquer um de nós ditos "mentalmente saudáveis") que num determinado momento, por determinados motivos, precisam de uma orientação. Tenho 25 anos e apenas 2 de experiência profissional, mas é o suficiente para perceber o antes e depois nos meus pacientes após frequentarem as consultas. É isto que me faz ficar cada dia mais apaixonada pela minha profissão.
    Parabéns pelo blog...gostei muito :)

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  17. Ao menos ficou tudo bem :D
    E realmente não entendo a ideia que a maioria das pessoas tem dos psicologos. Uma pessoa diz para ir a um psicologo e as pessoas assumem que lhes estamos a chamar malucos --'

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  18. eu não sei que faria perante uma situação dessas, mas pelo menos tu agiste bem no meio de tudo. mas ainda bem que tudo melhorou :)
    concordo com a Soraia! eu, como aspirante a psicóloga, também nao entendo o facto das pessoas pensarem que ir ao psicólogo significa que estão malucas, mas sim estão lá para os ajudarem! (:

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  19. Vergonha de quê? Não tens de ter de nada. Os psicólogos não são bichos do mato, são uns profissionais para nos ajudar quando necessitamos de alguma ajuda. Ainda bem que o teu pai ficou bem. Imagino a tua dor naquele dia. :S Um beijinho grande e bom fim-de-semana

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  20. Que situação terrível :/ fogo, imagino o pânico, mas o que interessa é que foi algo que acabou por se tornar numa coisa boa, agora o teu pai tem uma vida muito mais saudável! Quanto ao teres andando no psicólogo é algo que em nada te pode envergonhar, acho que cada vez mais se vai quebrando esse "mito"! :)*****

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  21. Já lá vai o tempo em que era vergonha ir ao psicólogo. Actualmente, é uma enorme ajuda. Provavelmente, se não fossem os psicólogos, a taxa de suicídio seria bem mais elevada.
    Nem imagino o susto que apanhaste! Tenho receio de que aconteça algo semelhante ao meu pai, já que ele também fuma muito, não faz exercício e não se preocupa com alimentação.
    Ainda bem que o teu pai recuperou bem, não ficou com sequelas e tornou-se numa pessoa saudável. Que continue assim durante muitos mais anos ;)

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  22. Ao fim e ao cabo, todas as coisas boas acabam por nos fortalecer e ajudar a melhorar enquanto pessoas... na altura é que não acreditamos que será assim. Mas, mais tarde, temos a frieza e a razão suficientes para chegarmos a essa conclusão. Parabéns por teres ultrapassado os ataques de pânico. Não é nada fácil ;)

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  23. Essa situação assustadora fez com que o teu pai se começasse a cuidar de outra maneira e ainda bem que teve tempo para tal. Muitas situações são fatais. Por ter sido uma situação traumática, acho que foi essencial teres sido acompanhada por um psicólogo :)

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  24. Grande exemplo a tua coragem e a coragem do teu pai em dar a volta ao seu estilo de vida. Fico muito feliz por ler que hoje ele está tão bem :)

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  25. Obrigada por esta partilha! Ainda bem que o teu pai melhorou e parabéns por teres ultrapassado os teus ataques de pânico! :)

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  26. certamente não foi um momento fácil, mas como tudo tenta-se procurar o lado bom das coisas...

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  27. Bem que situação!
    Acredito que não deve ser um momento fácil!

    Agiste consciente, foi muito importante!

    Graças a Deus que está tudo bem =)

    Beijocas

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  28. Também ando a passar por isso. Depois de um ano muito complicado a nível de saúde (felizmente tudo passou), tive um ataque de panico no 1º dia de férias na praia. Hoje um mês e meio depois, já consultei um psiquiatra, ando medicada e vou começar as consultas com um psicologo. Não acho vergonha nenhuma, é uma doença como outra qualquer. Os medicamentos ajudam em situações pontuais, mas acho que é mais importante fazermos terapia comportamental para nos livrarmos disto de uma vez por todas, porque tem sido muito complicado... Bem, mas a "cabeça" faz muito e com força de vontade tudo se consegue!!

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  29. Bem, isso é que foi um senhor susto, imagino como é que te deves ter sentido, e como é que certamente ainda te sentes. E ir ao psicólogo não é vergonha para ninguém, aliás, é um médico como qualquer outro.

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