Dia 8 de Setembro de 2009 pela manhã cedo ouvi o telemóvel do meu pai tocar sem ser atendido. Havia algo de estranho em ele não atender o telefone, mas estando eu ainda meio a dormir, não liguei muito. Nunca me hei de esquecer do que se passou a seguir. Ouvi um trambolhão enorme na sala, e saí a correr até lá. O meu pai estava no chão a tentar levantar-se mas não conseguia. Algo estava muito mal. A sua boca estava distorcida e ele tentava falar, saindo apenas sons indefinidos. Rapidamente percebi que ele estava a ter um Avc, e sem saber o que fazer tentei levantá-lo. Não consegui, e decidi deitá-lo no chão. Liguei para o 112 e expliquei o que se estava a passar. Pediram-me para lhe dar a mão e pedir para ele a apertar. Obviamente não conseguiu. Até o INEM chegar ele foi melhorando, ganhando sensibilidade no lado que não sentia, e quando foi para o Hospital já foi sentadinho e bem melhor. Se senti tristeza, preocupação? Não. Senti alivio. O meu pai fumava muitissimo. Não tinha cuidado absolutamente nenhum com a sua saúde, e eu soube ali que aquele seria um momento de transição. Andava tão preocupada com a saúde dele que soube que aquele susto o iria salvar.
Já no hospital surgiu o veredicto: AVC esquémico por causa de uma carótida entupida a 95% por causa do colesterol elevado. Pelo meio descobriu os diabetes, tal como o seu pai. Foi operado de urgência, e ainda hoje se vê a enorme cicatriz no seu pescoço.
Em pouco mais de um mês estava de volta ao trabalho, dizem que foi milagre. Ficou sem sequelas praticamente nenhumas. Mesmo assim houve um período difícil. Andava confuso, não se lembrava de palavras, tinha dificuldade em falar..Felizmente tudo se restabeleceu, e adoptou um novo estilo de vida. Menos 20 kg e uma alimentação cuidada aliada ao exercício físico fazem do meu pai a pessoa mais saudável cá de casa!
Infelizmente aquele episodio mexeu comigo de tal maneira que precisei de ir ao psicólogo. Não conseguia dormir, andava ansiosa, e qualquer barulho forte fazia o meu coração andar aos saltos. Certo dia tive um ataque de pânico a meio da noite, quando fui acordada por um barulho idêntico ao que ouvi no dia em que o meu pai sofreu o AVC. O psicólogo disse-me que sofria de "Ansiedade generalizada".
Sendo uma pessoa totalmente racional ultrapassei os meus ataques de pânico sem a ajuda de comprimidos, apenas com a ajuda da minha mente. Mesmo assim muito de vez em quando, em situações que me são desconfortáveis tendo a ficar ansiosa, e sinto o ataque de pânico a aproximar-se. Mas eu sou forte, e sei que os consigo combater. Nunca mais sofri de nenhum tipo de ansiedade forte, e sei que é graças à minha força. Se tenho vergonha de ser assim, de ter pedido ajuda psicológica? Não. Só me ajudou a ser uma pessoa forte, a perceber que o psicólogo não é um bicho de 7 cabeças, e a conseguir superar tudo o que se mete no meu caminho. Tornei-me definitivamente noutra pessoa, numa pessoa melhor.
De qualquer modo o dia de hoje é um dia que nunca mais apagarei da minha memória...